arte na periferia: Literatura
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26 de outubro de 2012

A Beira da Palavra



FM 93,7 Rádio USP (transmissão também pela net http://www.radio.usp.br/Neste sábado, 27/10, tem Daniel Munduruku no programa "À Beira da Palavra" 14h. Apresentado por Allan da Rosa e Spensy Pimentel e que vai ao ar pela Rádio USP. Logo após o programa "O Samba pede passagem", com Moisés da Rocha.

11 de outubro de 2012

Á Beira da Palavra - Estréia 06 de outubro



Programa na rádio USP realizado pela Edições Toró, que vai ao ar no próximo sábado 13/10

FM 93,7 Rádio USP (transmissão também pela net http://www.radio.usp.br/


Salve.
Neste sábado estréia "À Beira da Palavra" (após "O Samba pede passagem", com Moisés da Rocha)
LITERATURA
Entrevistas, Leituras, Recitais, Histórias

06/10: Lirinha (Cordel do Fogo Encantado)
13/10: 'Carolina de Jesus' (com a pesquisadora Flavia Rios)
20/10: Paulina Chiziane (Moçambique)
27/10: Daniel Munduruku

...E nos próximos sábados muito mais das letras das beiradas.
Prosas negras. Dúvidas da Literatura indígena. Urgências e tradições da Poesia popular nordestina. Versos e romances africanos. Movimentos da Literatura das Periferias.

Apresentação: Allan da Rosa & Spensy Pimentel
Engenharia Sonora: Mateus Subverso
Produção: Joana Moncau
Realização: Edições Toró

25 de setembro de 2012

O universo da periferia na visão de um jovem poeta


Luan Luando fala sobre cultura, educação, políticas públicas; revela anseios e as perspectivas para o universo em que vive


Entrevista: André Luiz, Joseh Sillva e Mara Esteves
Fotos: Renata Franco, Joseh Sillva
Texto: Joseh Sillva

Filho de Alzenir de Jesus (a Dona Nega), baiana de Itambé, sertão do estado da Bahia, e de José Felício Meireles da Silva, oriundo de Birigui, interior de São Paulo, Luan de Jesus, 24 anos, nasceu em Osasco, mas foi criado em Taboão da Serra. É o caçula de três irmãos: Renato de Jesus e Carlos Eduardo de Jesus. Poeta, ator e frequentador assíduo das ações culturais da periferia, ele pode ser considerado patrimônio das quebradas. Onde tem cultura periférica tem Luan Luando.
Se orgulha por ter crescido numa rua sem asfalto “acho que sou da última geração de Taboão que roubou fruta das árvores”. Hoje a Cidade está verticalizada, os prédios ocuparam o espaço de casas e os comércios tradicionais menores.

Pintando Versos – Ocupai 30° Bienal de Artes


A Agência Popular Solano Trindade e diversos coletivos prepararam uma programação para o público da 30° Bienal de Artes. Serão oficinas, saraus, diversas outras atividades que trarão a tona questões ermegentes da cidade, inspirados pela frase de Solano Trindade, “Pesquisar na fonte de origem e devolver ao povo em forma de arte”.
Acompanhe as ações na programação da Bienal!

14 de setembro de 2012

Lançamento do livro Águas da Cabaça - Elizandra Souza


Lançamento do livro de poemas Águas da Cabaça de Elizandra Souza com ilustrações de Salamanda Gonçalves e Renata Felinto.

Dia 26 de outubro (sexta-feira), das 19h às 22h. Discotecagem: DJ Vivian Marques. Pocket show: Lívia Cruz. Apresentação: Ballet Afro Koteban. 
Espaço Periferia no Centro – Ação Educativa – Rua General Jardim, 660. Vila Buarque. Entrada franca.

ALI, NO DESMANCHE

(Do livro "A Calimba e a Flauta" - Poesia erótica de Priscila Preta e Allan da Rosa. Musicação de Giovanino Di Ganzá, auxílio oriente de Salloma Jovino Salomão e Cassimano Santos Nanau - Lançamento em 27/10, no Espaço Clariô de Teatro)


Ó, árvore que dançaPermita que eu seja o som
em teu farfalhar
Seiva fina
em amor navalha

24 de setembro de 2010

ZINHO TRINDADE: HOJE-24/09-Lançamento do LIVRO -TARJA PRETA-Poesia...



Lançamento Livro "Tarja Preta" de Zinho Trindade ,pelo Selo Poesia Maloquerista.


Encontro de Saraus de Binho,Brasa, Cooperifa, Fundão, Ademar, Poesia na Esquina, Palmarino,Coletivo Maloquerista,Mesquiteiros,Donde Miras,Elo da Corrente,Encontro de Utopias entre outros

Exibição do filme “Imagens de uma vida simples” (Solano Trindade) produzido pelo coletivo NCA.

Local-Biblioteca Alceu Amoroso Lima 777-Pinheiros -SP

16 de setembro de 2010

Marcelino Freire, Heloísa Prieto e Fabiana Cozza...

abrem projeto 'O Escritor na Biblioteca'




http://hospedagemlivre.files.wordpress.com/2010/09/o-escritor-na-biblioteca.jpg

Caso não consiga visualizar a mensagem, clique aqui.


www.bibliotecas.sp.gov.br

--
Você recebeu esta mensagem porque está cadastrado na lista do boletim informativo com a programação cultural das 55 bibliotecas públicas da cidade de São Paulo. TODAS AS ATIVIDADES SÃO GRATUITAS.

Ajude-nos a divulgar este serviço. Para entrar em contato com a equipe de programação, tirar dúvidas ou se cadastrar para a receber o boletim, escreva para programasbibliotecas@prefeitura.sp.gov.br

Visite nosso site: www.bibliotecas.sp.gov.br


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30 de abril de 2010

Sarau do Binho promove programação especial em Maio



 Sarau do Binho promove programação especial em Maio

13 de novembro de 2009

Saraus Literários - da Periferia para o Centro 18/11/09


www.pontosdepoesia.blogspot.com

18/11 – quarta – 19h
II Encontro com A Poesia Urbana
Saraus Literários – da Periferia para o Centro



O objetivo é conhecer a produção de saraus organizados em vários pontos da cidade de São Paulo e discutir a importância da manifestação dos artistas da periferia, mostrando que ela tem voz e que essa voz também é poética. Para conhecê-la e reconhecê-la como uma autêntica manifestação literária nacional, é preciso não apenas ir à periferia, como também trazer a periferia para o centro.



Poetas e Participantes:
  Allan da Rosa

Allan da Rosa é poeta e dramaturgo. Historiador e arte-educador em cultura africana e afro-brasileira. Um dos pioneiros no movimento de literatura periférica contemporânea. Organizador do selo independente "Edições Toró" e integrante do grupo de Capoeira Angola Irmãos Guerreiros, em Taboão da Serra/SP. Autor de "Vão" (poesia, 2005), "Da Cabula-istoria pa tiatru" (dramaturgia, 2006), "Morada" (fotografia, ensaio e poesia, com Guma, 2007) e "Zagaia" (romance versado, juvenil, 2008) e participante de várias antologias e coletâneas.



  Robson Padial (Binho)

O ponto de leitura Bar do Binho existe desde 1997, promovendo encontros eventuais ligados à literatura cujo objetivo é a inclusão de crianças, jovens e adultos, incitando-os à iniciação e à prática do ato da leitura e da composição de textos. Em março de 1999, Robison Padial lançou seu primeiro livro, "Postesia", e passou a reunir poetas e declamadores da comunidade de Campo Limpo, região sul de São Paulo, em um evento que se repete toda segunda-feira, com a participação de cerca de cem pessoas, e que ficou conhecido como Sarau do Binho.



  Marcelino Feire

Marcelino Freire nasceu em 1967, em Sertânia, PE. Vive em São Paulo desde 1991. É um dos principais nomes (e divulgadores) da nova geração de escritores brasileiros, designada "Geração 90". Escreveu, entre outros, "Contos Negreiros" (Prêmio Jabuti 2006) e "RASIF - Mar que Arrebenta", ambos publicados pela Editora Record. Vários de seus contos foram adaptados para teatro e traduzidos para outros países. Em 2004, idealizou e organizou a antologia "Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século" (Ateliê Editorial). É o criador da Balada Literária, evento que, desde 2006, reúne anualmente quase uma centena de escritores, nacionais e internacionais, no bairro paulistano de Vila Madalena. Mantém o blog eraOdito (www.eraodito.blogspot.com), apontado em recente pesquisa da revista "Bula", como um dos 20 blogs mais influentes da rede.



.  Marcelo Tápia

Marcelo Tápia (Tietê, SP, 1954) é poeta, tradutor e professor. Publicou, entre outros, os livros "Primitipo" (1982), "O bagatelista" (1985), "Rótulo" (1990), "Livro aberto" (1992), "Pedra volátil" (1996), "A forja – alguma poesia irlandesa contemporânea" (tradução, 2003), "Lumes – antologia de haikais de Pedro Xisto' (apresentação, organização e notas, 2008) e "Os passos perdidos", de Alejo Carpentier (tradução, 2008). Tem publicado poemas e artigos em diversos periódicos, como "Cadernos de literatura em tradução" (da FFLCH-USP), "Cult', "Coyote", "Zunái", "Errática" e "Et Cetera"; é editor da revista on-line de literatura "Mnemozine'. Graduado em Português e Grego pela FFLCH-USP, realizou estudos de pós-graduação em Semiótica, Linguística, Letras Clássicas, Teoria da Tradução e Teoria Literária. É diretor do museu Casa Guilherme de Almeida, em São Paulo, no qual organiza um Centro de Estudos de Tradução Literária.



Moderador:
  Rui Mascarenhas
Rui Mascarenhas (Salvador, 1962). Poeta, fotógrafo e agitador cultural; coordenador de eventos junto à Poiesis (http://www.poiesis.org.br), onde trabalha em projetos de aproximação e incentivo à leitura, como Pontos de Poesia; PraLer no Centro; PraLer Ampliando Horizontes da Cidadania; Sarau São Paulo e Sarau do Metrô, em São Paulo. Autor do livro "MEIOHOMEM - Eternidade, meu canto que fica!" (2007). Em 2008, participou da I Bienal de Poesia Internacional de Brasília, tendo alguns de seus poemas publicados na antologia "Poemário", editada pela Biblioteca Nacional de Brasília (2008); "Santo Largo Treze" (2008, Dix Editorial – Annablume); e "Revista Não Funciona" (2008). Escreve nos blogs: www.meiohomem.blogspot.com  e www.pontosdepoesia.blogspot.com



Direção e Coordenação do Evento:
Maurício Pedro da Silva
Professor de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira no Centro Universitário Nove de Julho (Uninove), em São Paulo, com doutorado e pós-doutorado em Letras Clássicas e Vernáculas pela Universidade de São Paulo; membro da American Association of Teachers of Spanish and Portuguese (University of Northern Colorado), da Brazilian Studies Association (University of New Mexico), da Modern Language Association (New York) e outras associações nacionais e estrangeiras; autor dos livros: "O Pensamento Dominado. Estrutura e Prática do Texto Dissertativo" (Plêiade, São Paulo, 1998), "Sentidos Secretos. Ensaios de Literatura Brasileira" (Altana, São Paulo, 2005) e "A Hélade e o Subúrbio. Confrontos Literários na Belle Époque Carioca" (São Paulo, Edusp, 2006).

Murilo Jardelino da Costa
Mestre em Letras e Linguística pela Universidade Federal de Pernambuco, pós-graduado no Sonderprogramm für Lateinamerikanische Germanisten na Albert-Ludwigs-Üniversität Freiburg, especialista pelo Referendariat für Absolventen der Germanistik no Instituto Pedagógico Brasil-Alemanha e bacharel em Letras pela Universidade de São Paulo. Atualmente é professor do Centro Universitário Nove de Julho e da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São Bernardo. Tem experiência na área de ensino e aprendizagem de língua, com interesse nos seguintes temas: Formação de professores, Estratégias de ensino-aprendizagem, Estratégias de comunicação, Estratégias de compreensão, Pedagogia empírica e pesquisa em sala de aula.

Rita de Cássia Olivério Couto
Bacharel em Língua e Literatura Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica, de São Paulo. Mestre em Semiótica das Literaturas pela mesma universidade, exerce, atualmente, a docência superior como professora do Centro Universitário Nove de Julho (São Paulo), tanto em nível de graduação como de pós-graduação lato sensu. Coordena, na mesma instituição, o Projeto Sementeira, voltado para o desenvolvimento da leitura e a divulgação da literatura infantojuvenil. Faz parte do grupo de estudos Linguística e Literatura: Teoria e Práticas Discursivas, certificado pelo CNPq. 





Serviço:
18/11 – quarta-feira – 19h
Biblioteca Latino-americana Victor Civita
Memorial da América Latina - Portão 06
Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664
Barra Funda - São Paulo SP



Promoção:

Divisão de Produção de Eventos - CBEAL
Centro Brasileiro de Estudos da América Latina
Fundação Memorial da América Latina
Tel. (55-11) 3823-4780 / Fax. (55-11) 3823-4798


Apoio:
POIESIS - Organização Social de Cultura
Programa "São Paulo: Um Estado de Leitores"
http://www.poiesis.org.br
11 3331-5549  9225-2580 

25 de setembro de 2008

Onde Realmente é Periferia???

Esse fim de semana estive no final do bairro Grajaú conhecendo um grupo de jovens que realiza um projeto que envolve meio ambiente e cultura as margens da represa.

Aquele é um lugar esquecido pelo Deus Estado, salvo o CEU Navegantes que existe ali no meio de toda aquela pobreza... sem asfalto, calçada, direitos humanos e tudo mais... Fica claro que o governo deste bairro é do poder local, e como sabemos nem sempre o poder local leva em consideração o mais frágil...

Uma linda represa cheia de lixo... ratos nas ruas de terra... muitos, muitos barracos apenas de caibros e lonas...

Fiquei pensando que na verdade o Jd. São Luis onde moro é na verdade só o início da periferia... o final é um cadinho mais distante!!!

Mas vamos embora meu povo pq quanto mais cultura melhor... fiquei pensando que só a consciência que a cultura gera na cabeça das pessoas que pode mobilizar aquela região na luta pela devolução do dinheiro que os governos precisam fazer para aquela região, sem contar é claro... a dignidade.

Gil Marçal
15.09.08

22 de setembro de 2008

Manual de amor ao artista


Para se amar um artista tem que saber ser livre. Não falo do amor livre, aquele desvairado em que nada importa em que corpos e bocas diversas fazem parte de tudo sem mesmo fazer parte de nada. Não é desse que falo. Absolutamente também não falo de amor livre desses que quase já não há amor. Aquele que as pessoas fingem se amar fingem se importar, mas na verdade não. Olham para o lado sempre a procura de algo melhor e sofrem por dentro por não saber o que procurar. Não é desse amor que falo. Na verdade nem quero dizer nada sobre amor livre. Não é o amor que deve ser livre. Nós temos que ser livres. E ser livre não significa ser rebelde, adverso, descompromissado ou desinteressado. Ser livre não significa fazer o que acha que deveria para parecer independente. Ser livre não significa agir inconseqüentemente sem se preocupar com o que o outro sente com o que o outro pensa, com que o outro precisa. Ser livre não é estar ausente. Aliás, acho que esse é um dos maiores desafios da liberdade: estar presente. Porque pra você ser livre você tem que entender o mundo, a diversidade dos sentimentos, a diversidade de pessoas, a diversidade de idéias e opiniões. Você tem que fazer suas escolhas sem ferir as alheias, sem prender, sem forçar, sem dominar. Ser livre não é estar no topo, é estar. Apenas. E pra se amar de verdade um artista é preciso entender que nada é o que parece, que as coisas mudam e quem nem sempre dão certo. É preciso entender que sonhos podem virar realidade - nem que seja somente na ponta do lápis - mas que nem sempre esses sonhos são reais. Podem ser só sonhos do artista. É preciso entender que as horas passam, os dias passam, os anos passam e ele vai estar sempre lá, apaixonado pelo trabalho (que vai ser o único amante verdadeiro se sua vida). Por esse motivo o artista ama seu trabalho: porque é livre. Para se amar um artista é preciso olhar com atenção e se deixar ser olhado. É preciso estar só e deixar só - sem realmente estar em ambos os momentos. É preciso criar: rotinas dentro do caos, novas histórias dentro da história, motivos pra amar, espaços pra viver. É estar lá e saber que o artista também vai estar. É sentir e saber que o artista também vai sentir. É amar e saber que o artista também vai amar. Sem necessariamente ele ter que provar isso a todo o momento. As provas de amor de um artista vêm através de sua arte. O quanto mais ele ama, mais ele se sente criador. Não que o artista não crie também quando está triste ou desamado - mas aí é quando o amor próprio fala. Ele às vezes vai parecer distante, às vezes vai parecer frio, às vezes vai parecer triste - e não vai ser por sua causa. O artista sofre sozinho, de sua própria criação. Ele às vezes vai parecer animado, às vezes vai parecer eufórico, às vezes vai parecer feliz. Aproveite sempre esses momentos com ele. Mas não quero dizer com tudo isso que amar um artista é uma entrega solitária. Ele também vai te amar e te agradar, e te respeitar: se você for livre. Livre pra amar seu jeito desconexo. Livre pra entender suas ausências. Livre pra admirar suas criações. Livre pra controlar o ciúme. Livre pra se ausentar sem jogos. Livre pra viver sem amarras. Livre pra amar sem medo. Livre sem medo de ser amado da forma que ele souber amar. Para se amar um artista tem que se entender que o amor é livre, sem necessariamente ser o amor livre desvairado ou o amor livre desinteressado. O amor é livre, pois é pessoal, individual e intransferível. É variável dentro de uma mesma forma e simples o suficiente para assustar. Para se amar um artista tem que saber que não importa o que acontecer se você for digno de receber amor - qualquer tipo de amor - ele será seu. Inevitavelmente. Pode parecer complicado, muitas regras, muitos problemas... Mas não, não é assim. A grande questão que você precisa saber responder para saber se pode ou não amar um artista é: Você sabe ser livre? Se a resposta for não, eu sinto muito. Se a resposta for sim, então apenas te informo que, se você for realmente livre, o artista te amará antes que você o ame - e não há como não amar um artista apaixonado.

(autor desconhecido)


Esse texto eu achei no www.sampanoturno.blogspot.com, blog pessoal do Gunnar, achei o máximo, não pudi deixar de publicar...

30 de julho de 2008

Juventude Supersonica


BESO LANÇA LIVRO NO SARAU DA COOPERIFA
Hoje no Sarau da Cooperifa tem lançamento do livro do Beso

Lançamento do livro de poesia “Juventude Supersônica” do poeta da Cooperifa Beso, e do livro de contos “Amanhã. Aqui. Nesse mesmo lugar.” do contista e roteirista Sérgio Puccini (Campinas).
Uma produção de “Javali – Projetos Experimentais” (http://javalipro.blogspot.com/).

Juventude Supersônica é o primeiro livro de Beso e reúne poemas escritos desde a década de 90 até os dias de hoje.
Amanhã. Aqui. Nesse mesmo lugar. é a reunião de contos novos e outros já publicados pelo próprio escritor em pequenas edições, todos agora no que é também seu primeiro livro.

LANÇAMENTO DOS LIVROS

Amanhã. Aqui. Nesse mesmo lugar
Sérgio Puccini

Juventude supersônica
Beso

NO SARAU DA COOPERIFA
dia 30 de julho, quarta-feira
a partir das 20:30 h (até 23:00 h)


Local: Bar do Zé BatidãoRua Bartolomeu dos Santos, 797Chácara Santana/Piraporinha - São Paulo SP

14 de julho de 2008

Resposta ao artigo Nossas Conversas

Resposta do Dan! ao artigo Nossas Conversas, postado aqui segunda Feira passada.
Dan! É baterista da banda OsamelucO, frequentador dor Bar do Prudente as sextas-feiras e está lançando o CD PovoPalavraPoder! quem quiser ver, digo, ouvir! é so clicar. http://www.myspace.com/povopalavrapoder
Ué Peu,

acho que você já começou a escrever não é? Até porque, não acredito em uma proposta de elegermos um iscrivinhadô, se você dá um chute na porta, justamente da divisão social do trabalho e da especialização que tanto assola toda a produção cultural e social.

O que fica para mim, de tudo o que você fala, é a necessidade urgente de debatermos profundamente as questões estéticas, políticas e ecônômicas que estão entrelaçadas de forma uma tanto confusa em todas as produções "periféricas".

E que isso dê fundamento para que você critique minhas músicas, o Jair, suas produções, o Gunnar os bordados do Jota e assim por diante. Transformando a crítica em algo orgânico e dando cada vez mais força a nós mesmos em produzir nossas próprias músicas, literatura, a crítica da qual você fala e construir conjuntamente um projeto estético, político de "qualidade" e rebelde/primitivo!

Pois tenho chegado à conclusão de que para aqueles que não sabem para onde querem ir o Mercado é a melhor guarida.

Ou seja, antes de nos tornarmos autônomos naquilo que fazemos e propomos, somos autonomizados pela lógica totalizante do espetáculo e do mercado.

Estou aí para contribuir pois este debate muito me interessa. Como fechamento do e-mail deixo no ar a proposta de formalizarmos um grupo de estudos, ou algo do tipo, para colocarmos mais pimenta neste angú. Tenho um bom acervo de filmes e textos sobre cinema brasileiro e otras cositas mas... Se isto interessar estou completamente à disposição.

Grande Abraço

[dan!]

12 de julho de 2008

PRIMEIRO DIA DA CAMINHADA!!!

Cheguei na aldeia de paralheiros uma da manhã de sábado depois ter gravado um ótimo discurso do Plínio de Arruda Sampaio. Me da licença de lembra-lo aqui: "houve um momento em que os burgueses perderam o medo dos pobres. Chegou a hora de os pobres perderem o medo da burguesia! "A luta de classes é necessária, sem ela nós não fazemos a revolução".
Foi aupladido de pé por muito tempo, era um evento em solidariedade a criminalização do MST lá no sul. Estou de total acordo.

Voltando a aldeia quem me conhece sabe que eu fui dormir as cincos da manhã, prozeando com os índios em volta da fogueira. Tava um frio danado. Conversamos sobre muitas coisas. A tradição índigena, a pesquisa dessa tradição, de oportunistas, infelizmente estão por toda parte. Contamos piadas e rimos muito, tinha um índio que ria mais que todo mundo, ria de um modo engraçado, me lembrou o Dom Juan do Casteñeda.

As seis da manhã estavamos de pé! Caminhando rumo a Barragem onde andariamos por trilhos de trens. Foi um caminho diferente, andar pelos trilhos foi bem bonito, não muito fácil, mas bem bonito. Caminhamos por eles umas duas horas, vimos alguns trens passando, várias marcas gringas estampadas nos vagões. Nossa riqueza tudo indo embora ali naquele trem. Naquele monstro gigantesco com mil vagões, teve um que ficou passando durante uns 20 minutos pra vocês terem uma idéia, tem coisa que você só vê andando. Passamos por tuneis e tudo mais. Até chegarmos a um ponto onde havia uma picada na mata.

Entramos nela, confesso que eu não tinha a menor noção de que ia demorar tanto. Puts! Ali a gente começou a descer a serra do mar. Nossa! Era um barranco que não acabava mais. Mas era lindo. Foi muito louco andar numa trilha como aquela, muito estreita, ingrime no ultimo. Na trilha nós paramos pra comer várias vezes e fomos num grupo grande, cinquenta pessoas na floresta. Foi da hora.

Depois de umas três horas caminhando, chegamos a um rio que tinhamos que atrevesar pelas pedras. Deu trabalho! Tira tênis, amarra na mochila, tira bermuda, faz todo um esquema pra poder passar, mas esse era raso pelo menos. Depois, prosseguimos serra abaixo! Continuamos andando até escurecer. Houve uma certa euforia entre pânico e excitação. Andar na mata a noite, é mil grau! Não dá pra vê nada! Andamos no escuro mais ou menos uma hora. Chegamos a uma aldeia no meio da serra, lá tinha uma fogueira e estava frio.

Houve uma parada, a galera estava destruida. Ficamos todos deitados lá perto da fogueira, acendi um cigarrro e relaxei total, ali tava bom. Mas ainda tinha que andar e, pior! Atravesar um rio que batia na cintura e, ainda por cima, de noite. Puts! Foi penoso, adrenalina mil grau, lá em cima!!! Depois andamos pra muito ainda, no escuro com as lanterninhas. Até finalmente chegarmos na aldeia.

Cheguei e dormi, depois acordei e comi uma comida gostosa que uma índia cozinhava na fogueira, arroz e frango, uma canja deliciosa. Depois dormi de novo.

Dia seguinte, vinte e cinco quilometros, mas aí era uma estrada e havia um rio acompanhando e paramos pra nadar... foi um caminho cansativo, mas muito gostoso.

Finalmente chegamos no antigo cadeião de Santos onde nos hospedamos. Daí foi deixar a mala e correr para o sarau na cidade. Fizemos o sarau numa feira e foi danado! "Minha terra tem palmeras, mas eu nunca vi". "Vamos! Reconstruir palmares". "Quero ver onde essa américa se dizmorena". Musica, rimo e muito agito! Foi bem legal.

Estou seguro de que para fazer a revolução é preciso andar, caminhar, viajar entre povos e conhecer com o coração as realidades desse país. Quando todos as partes juntas entenderem... elas vão gritar as ultimas linhas do Capital.

Peu Pereira.

17 de junho de 2008

Donde Miras! Caminhada Cultural pela América Latina

Em 05 julho de 2008
um grupo de Artistas partirá da Zona Sul de São Paulo
rumo a Cananéia, realizando o segundo trecho da
Caminhada Cultural pela América Latina.

Caminharemos por nossas terras promovendo
a cultura, a arte e o conhecimento entre os povos.

Em cada cidade visitada realizaremos
oficinas culturais, debates e saraus
com apresentações musicais, poéticas,
intervenções locais, exibição de filmes,
apresentações teatrais e de dança entre
tantas outras manifestações e trocas que são
possíveis nos Saraus.

Convidamos todos aqueles que queiram
contribuir das mais diversas formas,
tanto humanas, espirituais, como materiais,
a fazerem parte desse sonho e inclusive
a seguirem caminhada conosco.

www.expediciondondemiras.blogspot.com



5 de junho de 2008

EDIÇÕES TORÓ CONVIDA!

LANÇAMENTO DO LIVRO DE CONTOS

DE RODRIGO CIRÍACO

Salve. Licença.

É na fome de buscar antigos e novos LEITORES; na sanha em carne viva que namora com o trabalho calculado de formar nosso público, o povo que LEIA nas beiradas da metrópole, que suados e felizes chamamos pro lançamento do livro “ Te pego lá fora”, contos escritos por Rodrigo Ciríaco.
Nosso 13° livro confeccionado, páginas da ladeira, do escadão; nosso primeiro livro apenas de contos.
As 25 estórias apresentadas por Ciríaco, professor de história e cooperiférico, costuram caquinhos do universo das escolas públicas do Jardim Cisper/ Ermelino Matarazzo: flechadas na garganta, giz no estômago, carinhos de esperança e homicídios em gotas (carimbados nos diários de classe). Mais rasteiras matutas que a mulecada aplica, por baixo da tonelada de mordida que güenta no osso.
Ciríaco, entre o espanto e a profunda lucidez, dichava o tumor sanguessuga das coordenadorias que passam o ferrolho nos corredores do futuro ( É, esse cabra mentiroso que é o futuro, existe. Nãó é H nem onda de candidato. Acompanhe o florescer da expressão de uma criança que tu ouve o amanhã agora, gritando, tossindo, rodando. Ouve até a mímica).
Os lançamentos serão na Sul, no centro e em Francisco Morato. Cada um com o imã dos arteiros muito muito especiais que vão se parear e mostrar seus revides, suas arquiteturas. Confere e é só chegar. Precisamos de ti pra trincar esse cadeado.
Em anexo a arte do convite, e mais pra baixo aí vão 3 contos do livro. Aperitivo.
Quarta-feira – 11/06, a partir das 21 horas
No Sarau da Cooperifa- Onde mora o tição, a ciência, o sereno e a gana da Poesia.
Rua Bartolomeu dos Santos, 797, Chácara Santana. Fone: 5891-7403
Quinta-feira – 12/06, a partir das 19 horas
Na Ação Educativa – Com o violão de Gunnar Vargas; o versado do Sarau Elo-da-Corrente, de Pirituba; a sanfona de Aline Reis e os contos de Marcelino Freire
Rua General Jardim, 660 – Vila Buarque. (próxima ao Metrô República)
Fone 3151-2333

Domingo – 15/06, a partir das 17 horas
III Encontro de Literatura Periférica de Francisco Morato
Centenário de Solano Trindade. Convidada especial: Raquel Trindade
No CIC ( Centro de Integração da Cidadania)

Rua Tabatinguera, 45 ( próxima à estação de trem de Francisco Morato, colada na prefeitura)


TRÊS CONTOS...

QUESTÃO DE POSTURA

O professor observa o menino no canto da sala, sozinho. Suando frio. Esfregando a mão dentro da calça. Estranha. Aproxima-se, com calma. O aluno de cabeça baixa, concentrado. Não percebe a chegada. Assusta. Coloca de volta, rápido. O professor, meio sem jeito, pergunta:
- O que é isso, Lucas?
O aluno não vê outra solução. Abaixa o zíper. Mostra o revólver.
- Ah! Tudo bem. Pensei que fosse outra coisa.
- Ô, que isso! Tá tirando prussôr?




PAPO RETO

Vou te explicar, só uma vez, porque apesar de parecer inteligente, você ainda é muito novo pra entender. Não tem a malícia, a experiência da vida. Aqui, as coisas não são do jeito que você quer. Tudo tem o seu ritmo, o momento certo. Você não pode chegar aqui e querer mudar tudo. Fazer a revolução, entende? Não, aqui você entra no esquema, no jogo. Ou entra no jogo ou tá fora do baralho. E te digo: carta fora fica marcada. Cê tá lascado.
Tô falando isso porque vocês, professores, criticam, mas não entendem como é difícil ficar aqui atrás dessa mesa. Acham que é fácil dirigir uma escola. Só reclamam, reclamam: ah, que não tem organização, ah, que não tem transparência nas coisas; que eu nunca tô presente. Vou deixar uma coisa bem clara, já que você me questionou: a minha vida não é isso aqui. Isto é uma pequena, pequena parte dela. Eu tenho outras preocupações, entende? Por exemplo, tenho o financiamento do meu carro. Tenho a escola particular dos meus filhos, tenho o meu apartamento. Eu trabalho em três empregos, professor. Três! Veja a minha responsabilidade. Se vocês não me vêem aqui quando precisam, não é por que eu tô vagabundeando não. Vê se alguém da secretaria bota falta no meu livro de ponto quando não venho? Não, eles sabem que eu não sô pilantra, não tô enrolando. Tô trabalhando. Tra-ba-lhan-do. E eles colaboram comigo. Isso se chama confiança, lealdade. Reciprocidade. Faço a cobertura deles quando fazem umas cagadas por aí. Trabalho de equipe, entende? Por isso, sou bem clara. É tua escolha. Ou entra na dança ou procura outra escola. Sem vacilação. Você não pode conosco. Nós somos a maioria.
O negócio aqui é sério.



Bia não quer merendar

Bia não quer merendar. Bia nunca comeu a merenda mas ouviu dizer que é ruim, que é sempre a mesma coisa; que não presta. Bia vê o que alguns alunos fazem com a merenda: dão duas colheradas e deixam no canto; amassam, fazem uma pasta e jogam uns nos outros. Guerrinha. Raspam o fundo do prato com a colher de plástico, dão uma lambida e pedem: - Tem mais, Tia? Bia acha engraçado. Os merendeiros. Bia diz pras amigas “eu não, eu não sou merendeira”. Ela inclusive viu esta semana uma calça. A tia falou que vai lhe dar um tênis. Já encomendou um celular para a mãe. Tem nome e marca de carro: um V8. Bia espera que o seu V8 não demore. Ela tem medo. Não pode deixar de se comunicar com as meninas. Odiaria ser rejeitada pelas amigas. Não ter um grupo. Ser apenas mais uma do povo. Já pensou, comer a merenda, como todos? O Zé-povinho? Ela não. Bia não se importa de não comer. As modelos não são todas magras? Quem dera tivesse anorexia. Dizem que é doença de rico. Tomar sorvete, comer lanches, salgados e depois vomitar. Pelo menos esta dor no estômago, esta fraqueza faria sentido. Bia não quer merendar. Ela já avisou: não tomou café, não almoçou. Não, não é dieta. Não comeu porque não tinha. Assim como no intervalo não tinha dinheiro pra cantina. Bia não quis sair para comer a merenda, ainda que fosse às escondidas. A última coisa que Bia insistiu em dizer, antes de desmaiar de fome, foi: “Professor, eu, eu... Eu não sou merendeira.”

29 de maio de 2008

TRÊS PEQUENA NOTÍCIAS...

1 – ‘,…e viajando por perigosas aventuras intergalacticovirtual, chegamos a ficar por um fio da morte… quase que não conseguimos voltar pra superfície. Por entre códigos e upload's, linguas estranhas, entranhas escuras e o escambal…
Apresentamos este layout, produzido durante a saga(rana) sem grana, nem grama, nem trama, nem brahma, nem shiva, nem o jiraia!!! Afffi…,’

2 – Estamos realizando o projeto CONTOS DE BAIRRO, contemplado pelo VAI. Trata-se da realização de três curtas metragens baseados em contos literários de escritores periféricos. O projeto também reune três cineastas da periferia, sendo um diretor para cada filme, alem de contar com trilha Sonora original feita pelos vagabundos aqui da quebrada! A idéia é realizar um retrato da produção audiovisual da periferia.

3 – Estamos co-realizando o Cine Fábrica, que exibe um filme por semana, sendo quatro filmes por mês. Todas as QUINTAS FEIRAS AS 20H00. Na próxima QUINTA passaremos um curta que realizei em 2006 pelas oficinas kinoforum. O filme mostra a transformação de três pessoas a partir do envolvimento com uma atividade artistica. No próximo mês teremos uma dobradinha de Truffaut e Buñuel. Veja abaixo!






26 de maio de 2008

BORBA GATO É JULGADO, CONDENADO E ENCONTRA-SE PRESO!

BORBA GATO É JULGADO, CONDENADO E ENCONTRA-SE PRESO!
Fato inédito no país para um branco, rico e bandeirante.




No dia 19 de Abril de 2008 foi promovido o Julgamento Popular do Borba Gato.


O júri popular o declarou culpado pelas seguintes atrocidades:


Homicídio qualificado de negros, índios e brancos.
Artigo 121 do código penal - reclusão de 30 anos.


Promoção de trabalho escravo de negros e índios.
Artigo 288 do código penal - reclusão de 8 anos.


Estupro de mulheres negras e índias.
Artigo 103 do código penal - reclusão de 10 anos.


Apropriação indébita de riquezas e poder.
Artigo 168 do código penal - reclusão de 5 anos.


Porte indevido e ofensivo de armamento pesado.
Artigo 180 do código penal - reclusão de 2 anos.


Com eficiência e rapidez surpreendente, a pena é executada em um mês.
No dia 21 de maio, Borba Gato é acorrentado a uma bola.



Detalhe da corrente de Nióbio material altamente resistente


A reclusão prevista no código penal é de 55 anos..

Por acreditarmos que a cultura bandeirante e suas atrocidades não representam os heróis que gostaríamos ver construir a nossa história, o juri delibrou que o Bandeirante Borba Gato fica condenado à imobilidade por toda a eternidade.

É importante saber que:
Os povos negros e indígenas são bases fundamentais na formação do Brasil. Mesmo assim foi criada uma cultura de que o que vem destes povos deve ser menosprezado – por isso as maiores estradas, monumentos, personagens da nossa história e até mesmo o palácio, é deles! Pessoas que massacraram a cultura indígena e negra. Mas é preciso deixar claro que corre no sangue do nosso povo uma ancestralidade indígena e negra!!!
Repensar a história do nosso povo é promover a possibilidade de um outro Brasil e não como este atual onde quem tem dinheiro não tem lei, não vai preso e manda no país. Onde quem é índio nem sabe que é e quem é negro tem vergonha de Ser.
Nossos heróis são outros e não estes que nos apresentam!!!
Queremos mais.
Podemos muito mais...
Questionando os nomes e os valores da "história oficial" estaremos reconstruindo nossa própria história como povo desta terra.



6 de maio de 2008

CULTURA PERIFÉRICA

Pequenas revoluções

Em São Paulo, mais de cem projetos culturais passam a ter financiamento público, por meio do VAI. Quase sempre propostos por jovens, e a partir das quebradas, eles revelam as raízes e o amadurecimento rápido da arte nas periferias. Também indicam uma interessante preferência pela literatura

Eleilson Leite

Começou em abril passado mais uma temporada do VAI – Valorização de Iniciativas Culturais, programa da secretaria de Cultura de São Paulo que financia projetos de jovens, grupos juvenis e organizações culturais da periferia. Esta é a quinta edição do VAI, iniciado em 2004. São 103 projetos selecionados entre mais de 700, inscritos no edital lançado no final do ano passado. Cada uma das propostas contempladas receberá R$ 18 mil reais para realizar suas atividades até dezembro. O recurso é depositado diretamente na conta do beneficiado, seja pessoa física ou jurídica. Um investimento de R$ 1,8 milhão muitíssimo bem aplicado. Certamente, o VAI é uma das verbas mais bem executadas da prefeitura de São Paulo.

Dei uma olhada na lista dos contemplados do VAI/2008. O perfil, até onde pude examinar é bastante interessante. Dos 103 projetos aprovados, somente 12 são de pessoas jurídicas. Dentre estas tem uma escola municipal, representada pela APM – Associação de Pais e Mestres. Outro destaque entre as PJs é a Associação Guarani Nhe Porã, de uma das aldeias indígenas de Parelheiros que apresentaram um projeto na área de audiovisual. Embora pequena, considero importante a presença de organizações juridicamente constituídas. É um sinal de maturidade do movimento cultural periférico. Várias rodas de samba, por exemplo, já são ONGs, como é o caso do Samba da Vela e o Samba da Laje. A Cooperifa, além de ser uma associação também tem título de OSCIP- Organização da Sociedade Civil de Interesse Público. Isso confere a essas organizações uma condição interessante para captar recursos e buscar sustentabilidade. Podem, entre outras opções, se tornar Pontos de Cultura, uma iniciativa do ministério da Cultura que vai na mesma direção do VAI.

Não obstante, o VAI mantém seu foco prioritário na pessoa física e isso é muito correto. As organizações que receberão apoio já têm consciência que este é um primeiro impulso. Daqui para frente é bom buscar outras fontes, porque o VAI também procura considerar o ineditismo dos projetos e a curta trajetória dos proponentes. A Cooperifa não foi contemplada na edição do ano passado, certamente porque já era um movimento consolidado. As pessoas jurídicas apoiadas pelo programa em geral têm baixa institucionalidade e o recurso será muito importante para a sua afirmação.

E quem são as 91 pessoas físicas aprovadas no edital? São jovens cheios de motivação e criatividade. Somente quatro deles têm 30 anos ou mais. Por outro lado, 17 têm entre 18 e 20 anos. O restante está na faixa dos 21 aos 29. Soube que a organização do VAI pretende estimular ainda mais a presença de jovens com menos de 20 anos e principalmente aqueles que ainda estão no ensino médio. A grande maioria dos aprovados já saiu da escola. Muitos cursam faculdade e outros tantos já se formaram. Sei de um que faz pós-graduação, por sinal é o único com mais de 30 anos.Todos os jovens aprovados são de baixa renda e moradores de bairros periféricos. A maioria é da Zonal Sul que teve 40 projetos aprovados. A Zona Leste vem logo atrás, com 31 propostas. A Zona Norte tem 14 e a Zona Oeste ficou com 7.

Quanto à temática dos projetos, a análise comprova uma tendência já observada em textos anteriores desta coluna: a literatura é a linguagem artística cujo interesse mais cresce na periferia. Vinte iniciativas tratam das letras. Tem projetos de livros, revistas, fanzines, saraus, oficinas, vídeo e teatro. Todos tendo a literatura como foco. Empatado no topo da lista vem o teatro, com o mesmo número de projetos. Há 19 iniciativas dentro de um universo temático que inclui artes visuais, multimídia e audiovisual. Música ficou com 8 projetos e Cultura Popular recebeu 7. Depois, vêm Hip Hop, e Artes Plásticas, com 7 e 6 propostas respectivamente. Entre os temas com menor número de propostas estão dança (dois projetos) e circo, capoeira e rádio (apenas uma proposta cada).
Literatura e teatro, tradicionalmente associados ao gosto da elite, são as linguagens com maior presença. A massa nas quebradas está assando um biscoito muito fino, que a elite há de experimentar

Espero que sociólogos e demais estudiosos se interessem por esses dados. Vejam que curioso. Os temas que tradicionalmente estiveram mais associados ao gosto da elite, a literatura e o teatro, são as linguagens com maior presença entre os projetos da periferia. Isso merece uma boa reflexão. Se juntarmos artes plásticas, multimídia e artes visuais, fica ainda mais acentuada a evidência de que a ampliação do acesso aos meios, somada a uma política pública, faz emergir, no subúrbio, um movimento cultural muito consistente, criativo e sofisticado. Está aí uma hipótese a ser investigada. O certo é que a massa nas quebradas está assando um biscoito muito fino, que a elite há de experimentar.

Durante nove meses, portanto, assistiremos a uma movimentação cultural intensa e vibrante por toda a periferia de São Paulo. Muitos dos resultados serão divulgados na Agenda Cultural da Periferia. As 16 páginas deste guia passarão a ser disputadas, linha por linha, por vários projetos. Até porque a Agenda serviu de portfólio para muitos dos pleiteantes do VAI, que puderam comprovar sua existência artística por meio desta publicação. Em boa hora, a Agenda da Periferia passou a ser acessada na internet, com notícias veiculadas semanalmente. Por caminhos diferentes, O VAI e a Agenda Cultural da Periferia, da Ação Educativa, acabaram se encontrando nesse esforço de afirmação da cultura de periferia.

Na semana passada falei da Virada Cultural e chamei a atenção para o fato de que a continuidade do evento corre risco, numa próxima gestão. Com o VAI esse rico é muito menor. Sabe por que? O VAI foi instituído, desde o princípio, como lei, formulada ao longo de dois anos, com amplos debates, até chegar ao texto final. Veja que círculo virtuoso. Uma lei feita com participação popular só poderia resultar numa política tão bacana.

Falei também da necessidade de a Virada Cultural ter mais participação na sua programação. Seria uma boa idéia a Prefeitura garantir espaço para os projetos do VAI nas 24 horas do grande evento cultural de São Paulo. Entre 103 iniciativas, certamente teremos muita, muita coisa boa para mostrar. Como diz o Célio Turino, coordenador do programa Cultura Viva, do ministério da Cultura, o VAI, assim como os Pontos de Cultura, são exemplos de políticas onde o Estado dispõe, ao invés de impor. Acredito na idéia de que Estado pode ser um importante agente estimulador da organização civil. Assim teremos um Estado forte com uma sociedade civil igualmente forte. A cultura está dando um excelente exemplo.