26 de outubro de 2012
11 de outubro de 2012
Á Beira da Palavra - Estréia 06 de outubro
Programa na rádio USP realizado pela Edições Toró, que vai ao ar no próximo sábado 13/10
FM 93,7 Rádio USP (transmiss
| Salve. Neste sábado estréia "À Beira da Palavra" (após "O Samba pede passagem", com Moisés da Rocha) LITERATURA Entrevistas, Leituras, Recitais, Histórias 06/10: Lirinha (Cordel do Fogo Encantado) 13/10: 'Carolina de Jesus' (com a pesquisadora Flavia Rios) 20/10: Paulina Chiziane (Moçambique) 27/10: Daniel Munduruku ...E nos próximos sábados muito mais das letras das beiradas. Prosas negras. Dúvidas da Literatura indígena. Urgências e tradições da Poesia popular nordestina. Versos e romances africanos. Movimentos da Literatura das Periferias. Apresentação: Allan da Rosa & Spensy Pimentel Engenharia Sonora: Mateus Subverso Produção: Joana Moncau Realização: Edições Toró |
25 de setembro de 2012
O universo da periferia na visão de um jovem poeta
Fotos: Renata Franco, Joseh Sillva
Texto: Joseh Sillva
Pintando Versos – Ocupai 30° Bienal de Artes
14 de setembro de 2012
Lançamento do livro Águas da Cabaça - Elizandra Souza
Lançamento do livro de poemas Águas da Cabaça de Elizandra Souza com ilustrações de Salamanda Gonçalves e Renata Felinto.
Dia 26 de outubro (sexta-feira), das 19h às 22h. Discotecagem: DJ Vivian Marques. Pocket show: Lívia Cruz. Apresentação: Ballet Afro Koteban.
Espaço Periferia no Centro – Ação Educativa – Rua General Jardim, 660. Vila Buarque. Entrada franca.
ALI, NO DESMANCHE
Ó, árvore que dançaPermita que eu seja o som
em teu farfalhar
Seiva fina
em amor navalha
24 de setembro de 2010
ZINHO TRINDADE: HOJE-24/09-Lançamento do LIVRO -TARJA PRETA-Poesia...
Encontro de Saraus de Binho,Brasa, Cooperifa, Fundão, Ademar, Poesia na Esquina, Palmarino,Coletivo Maloquerista,Mesquiteiros,Donde Miras,Elo da Corrente,Encontro de Utopias entre outros
Exibição do filme “Imagens de uma vida simples” (Solano Trindade) produzido pelo coletivo NCA.
16 de setembro de 2010
Marcelino Freire, Heloísa Prieto e Fabiana Cozza...
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30 de abril de 2010
13 de novembro de 2009
Saraus Literários - da Periferia para o Centro 18/11/09
Murilo Jardelino da Costa
Barra Funda - São Paulo SP
Promoção:
Centro Brasileiro de Estudos da América Latina
Fundação Memorial da América Latina
Tel. (55-11) 3823-4780 / Fax. (55-11) 3823-4798
Programa "São Paulo: Um Estado de Leitores"
11 3331-5549 9225-2580
25 de setembro de 2008
Onde Realmente é Periferia???
Esse fim de semana estive no final do bairro Grajaú conhecendo um grupo de jovens que realiza um projeto que envolve meio ambiente e cultura as margens da represa.
Aquele é um lugar esquecido pelo Deus Estado, salvo o CEU Navegantes que existe ali no meio de toda aquela pobreza... sem asfalto, calçada, direitos humanos e tudo mais... Fica claro que o governo deste bairro é do poder local, e como sabemos nem sempre o poder local leva em consideração o mais frágil...
Uma linda represa cheia de lixo... ratos nas ruas de terra... muitos, muitos barracos apenas de caibros e lonas...
Fiquei pensando que na verdade o Jd. São Luis onde moro é na verdade só o início da periferia... o final é um cadinho mais distante!!!
Mas vamos embora meu povo pq quanto mais cultura melhor... fiquei pensando que só a consciência que a cultura gera na cabeça das pessoas que pode mobilizar aquela região na luta pela devolução do dinheiro que os governos precisam fazer para aquela região, sem contar é claro... a dignidade.
Gil Marçal
15.09.08
22 de setembro de 2008
Manual de amor ao artista
Para se amar um artista tem que saber ser livre. Não falo do amor livre, aquele desvairado em que nada importa em que corpos e bocas diversas fazem parte de tudo sem mesmo fazer parte de nada. Não é desse que falo. Absolutamente também não falo de amor livre desses que quase já não há amor. Aquele que as pessoas fingem se amar fingem se importar, mas na verdade não. Olham para o lado sempre a procura de algo melhor e sofrem por dentro por não saber o que procurar. Não é desse amor que falo. Na verdade nem quero dizer nada sobre amor livre. Não é o amor que deve ser livre. Nós temos que ser livres. E ser livre não significa ser rebelde, adverso, descompromissado ou desinteressado. Ser livre não significa fazer o que acha que deveria para parecer independente. Ser livre não significa agir inconseqüentemente sem se preocupar com o que o outro sente com o que o outro pensa, com que o outro precisa. Ser livre não é estar ausente. Aliás, acho que esse é um dos maiores desafios da liberdade: estar presente. Porque pra você ser livre você tem que entender o mundo, a diversidade dos sentimentos, a diversidade de pessoas, a diversidade de idéias e opiniões. Você tem que fazer suas escolhas sem ferir as alheias, sem prender, sem forçar, sem dominar. Ser livre não é estar no topo, é estar. Apenas. E pra se amar de verdade um artista é preciso entender que nada é o que parece, que as coisas mudam e quem nem sempre dão certo. É preciso entender que sonhos podem virar realidade - nem que seja somente na ponta do lápis - mas que nem sempre esses sonhos são reais. Podem ser só sonhos do artista. É preciso entender que as horas passam, os dias passam, os anos passam e ele vai estar sempre lá, apaixonado pelo trabalho (que vai ser o único amante verdadeiro se sua vida). Por esse motivo o artista ama seu trabalho: porque é livre. Para se amar um artista é preciso olhar com atenção e se deixar ser olhado. É preciso estar só e deixar só - sem realmente estar em ambos os momentos. É preciso criar: rotinas dentro do caos, novas histórias dentro da história, motivos pra amar, espaços pra viver. É estar lá e saber que o artista também vai estar. É sentir e saber que o artista também vai sentir. É amar e saber que o artista também vai amar. Sem necessariamente ele ter que provar isso a todo o momento. As provas de amor de um artista vêm através de sua arte. O quanto mais ele ama, mais ele se sente criador. Não que o artista não crie também quando está triste ou desamado - mas aí é quando o amor próprio fala. Ele às vezes vai parecer distante, às vezes vai parecer frio, às vezes vai parecer triste - e não vai ser por sua causa. O artista sofre sozinho, de sua própria criação. Ele às vezes vai parecer animado, às vezes vai parecer eufórico, às vezes vai parecer feliz. Aproveite sempre esses momentos com ele. Mas não quero dizer com tudo isso que amar um artista é uma entrega solitária. Ele também vai te amar e te agradar, e te respeitar: se você for livre. Livre pra amar seu jeito desconexo. Livre pra entender suas ausências. Livre pra admirar suas criações. Livre pra controlar o ciúme. Livre pra se ausentar sem jogos. Livre pra viver sem amarras. Livre pra amar sem medo. Livre sem medo de ser amado da forma que ele souber amar. Para se amar um artista tem que se entender que o amor é livre, sem necessariamente ser o amor livre desvairado ou o amor livre desinteressado. O amor é livre, pois é pessoal, individual e intransferível. É variável dentro de uma mesma forma e simples o suficiente para assustar. Para se amar um artista tem que saber que não importa o que acontecer se você for digno de receber amor - qualquer tipo de amor - ele será seu. Inevitavelmente. Pode parecer complicado, muitas regras, muitos problemas... Mas não, não é assim. A grande questão que você precisa saber responder para saber se pode ou não amar um artista é: Você sabe ser livre? Se a resposta for não, eu sinto muito. Se a resposta for sim, então apenas te informo que, se você for realmente livre, o artista te amará antes que você o ame - e não há como não amar um artista apaixonado.
(autor desconhecido)
Esse texto eu achei no www.sampanoturno.blogspot.com, blog pessoal do Gunnar, achei o máximo, não pudi deixar de publicar...
30 de julho de 2008
Juventude Supersonica

BESO LANÇA LIVRO NO SARAU DA COOPERIFA
Hoje no Sarau da Cooperifa tem lançamento do livro do Beso
Lançamento do livro de poesia “Juventude Supersônica” do poeta da Cooperifa Beso, e do livro de contos “Amanhã. Aqui. Nesse mesmo lugar.” do contista e roteirista Sérgio Puccini (Campinas).
Uma produção de “Javali – Projetos Experimentais” (http://javalipro.blogspot.com/).
Juventude Supersônica é o primeiro livro de Beso e reúne poemas escritos desde a década de 90 até os dias de hoje.
Amanhã. Aqui. Nesse mesmo lugar. é a reunião de contos novos e outros já publicados pelo próprio escritor em pequenas edições, todos agora no que é também seu primeiro livro.
LANÇAMENTO DOS LIVROS
Amanhã. Aqui. Nesse mesmo lugar
Sérgio Puccini
Juventude supersônica
Beso
NO SARAU DA COOPERIFA
dia 30 de julho, quarta-feira
a partir das 20:30 h (até 23:00 h)
Local: Bar do Zé BatidãoRua Bartolomeu dos Santos, 797Chácara Santana/Piraporinha - São Paulo SP
14 de julho de 2008
Resposta ao artigo Nossas Conversas
Dan! É baterista da banda OsamelucO, frequentador dor Bar do Prudente as sextas-feiras e está lançando o CD PovoPalavraPoder! quem quiser ver, digo, ouvir! é so clicar. http://www.myspace.com/povopalavrapoder
acho que você já começou a escrever não é? Até porque, não acredito em uma proposta de elegermos um iscrivinhadô, se você dá um chute na porta, justamente da divisão social do trabalho e da especialização que tanto assola toda a produção cultural e social.
O que fica para mim, de tudo o que você fala, é a necessidade urgente de debatermos profundamente as questões estéticas, políticas e ecônômicas que estão entrelaçadas de forma uma tanto confusa em todas as produções "periféricas".
E que isso dê fundamento para que você critique minhas músicas, o Jair, suas produções, o Gunnar os bordados do Jota e assim por diante. Transformando a crítica em algo orgânico e dando cada vez mais força a nós mesmos em produzir nossas próprias músicas, literatura, a crítica da qual você fala e construir conjuntamente um projeto estético, político de "qualidade" e rebelde/primitivo!
Pois tenho chegado à conclusão de que para aqueles que não sabem para onde querem ir o Mercado é a melhor guarida.
Ou seja, antes de nos tornarmos autônomos naquilo que fazemos e propomos, somos autonomizados pela lógica totalizante do espetáculo e do mercado.
Estou aí para contribuir pois este debate muito me interessa. Como fechamento do e-mail deixo no ar a proposta de formalizarmos um grupo de estudos, ou algo do tipo, para colocarmos mais pimenta neste angú. Tenho um bom acervo de filmes e textos sobre cinema brasileiro e otras cositas mas... Se isto interessar estou completamente à disposição.
Grande Abraço
[dan!]
12 de julho de 2008
PRIMEIRO DIA DA CAMINHADA!!!
Foi aupladido de pé por muito tempo, era um evento em solidariedade a criminalização do MST lá no sul. Estou de total acordo.
Voltando a aldeia quem me conhece sabe que eu fui dormir as cincos da manhã, prozeando com os índios em volta da fogueira. Tava um frio danado. Conversamos sobre muitas coisas. A tradição índigena, a pesquisa dessa tradição, de oportunistas, infelizmente estão por toda parte. Contamos piadas e rimos muito, tinha um índio que ria mais que todo mundo, ria de um modo engraçado, me lembrou o Dom Juan do Casteñeda.
As seis da manhã estavamos de pé! Caminhando rumo a Barragem onde andariamos por trilhos de trens. Foi um caminho diferente, andar pelos trilhos foi bem bonito, não muito fácil, mas bem bonito. Caminhamos por eles umas duas horas, vimos alguns trens passando, várias marcas gringas estampadas nos vagões. Nossa riqueza tudo indo embora ali naquele trem. Naquele monstro gigantesco com mil vagões, teve um que ficou passando durante uns 20 minutos pra vocês terem uma idéia, tem coisa que você só vê andando. Passamos por tuneis e tudo mais. Até chegarmos a um ponto onde havia uma picada na mata.
Entramos nela, confesso que eu não tinha a menor noção de que ia demorar tanto. Puts! Ali a gente começou a descer a serra do mar. Nossa! Era um barranco que não acabava mais. Mas era lindo. Foi muito louco andar numa trilha como aquela, muito estreita, ingrime no ultimo. Na trilha nós paramos pra comer várias vezes e fomos num grupo grande, cinquenta pessoas na floresta. Foi da hora.
Depois de umas três horas caminhando, chegamos a um rio que tinhamos que atrevesar pelas pedras. Deu trabalho! Tira tênis, amarra na mochila, tira bermuda, faz todo um esquema pra poder passar, mas esse era raso pelo menos. Depois, prosseguimos serra abaixo! Continuamos andando até escurecer. Houve uma certa euforia entre pânico e excitação. Andar na mata a noite, é mil grau! Não dá pra vê nada! Andamos no escuro mais ou menos uma hora. Chegamos a uma aldeia no meio da serra, lá tinha uma fogueira e estava frio.
Houve uma parada, a galera estava destruida. Ficamos todos deitados lá perto da fogueira, acendi um cigarrro e relaxei total, ali tava bom. Mas ainda tinha que andar e, pior! Atravesar um rio que batia na cintura e, ainda por cima, de noite. Puts! Foi penoso, adrenalina mil grau, lá em cima!!! Depois andamos pra muito ainda, no escuro com as lanterninhas. Até finalmente chegarmos na aldeia.
Cheguei e dormi, depois acordei e comi uma comida gostosa que uma índia cozinhava na fogueira, arroz e frango, uma canja deliciosa. Depois dormi de novo.
Dia seguinte, vinte e cinco quilometros, mas aí era uma estrada e havia um rio acompanhando e paramos pra nadar... foi um caminho cansativo, mas muito gostoso.
Finalmente chegamos no antigo cadeião de Santos onde nos hospedamos. Daí foi deixar a mala e correr para o sarau na cidade. Fizemos o sarau numa feira e foi danado! "Minha terra tem palmeras, mas eu nunca vi". "Vamos! Reconstruir palmares". "Quero ver onde essa américa se dizmorena". Musica, rimo e muito agito! Foi bem legal.
Estou seguro de que para fazer a revolução é preciso andar, caminhar, viajar entre povos e conhecer com o coração as realidades desse país. Quando todos as partes juntas entenderem... elas vão gritar as ultimas linhas do Capital.
Peu Pereira.
17 de junho de 2008
Donde Miras! Caminhada Cultural pela América Latina
um grupo de Artistas partirá da Zona Sul de São Paulo
rumo a Cananéia, realizando o segundo trecho da
Caminhada Cultural pela América Latina.
Caminharemos por nossas terras promovendo
a cultura, a arte e o conhecimento entre os povos.
Em cada cidade visitada realizaremos
oficinas culturais, debates e saraus
com apresentações musicais, poéticas,
intervenções locais, exibição de filmes,
apresentações teatrais e de dança entre
tantas outras manifestações e trocas que são
possíveis nos Saraus.
Convidamos todos aqueles que queiram
contribuir das mais diversas formas,
tanto humanas, espirituais, como materiais,
a fazerem parte desse sonho e inclusive
a seguirem caminhada conosco.
www.expediciondondemiras.blogspot.com
5 de junho de 2008
EDIÇÕES TORÓ CONVIDA!
DE RODRIGO CIRÍACO
Salve. Licença.
Domingo – 15/06, a partir das 17 horas
Rua Tabatinguera, 45 ( próxima à estação de trem de Francisco Morato, colada na prefeitura)
TRÊS CONTOS...
29 de maio de 2008
TRÊS PEQUENA NOTÍCIAS...



26 de maio de 2008
BORBA GATO É JULGADO, CONDENADO E ENCONTRA-SE PRESO!
Fato inédito no país para um branco, rico e bandeirante.

O júri popular o declarou culpado pelas seguintes atrocidades:
Homicídio qualificado de negros, índios e brancos.
Artigo 121 do código penal - reclusão de 30 anos.
Promoção de trabalho escravo de negros e índios.
Artigo 288 do código penal - reclusão de 8 anos.
Estupro de mulheres negras e índias.
Artigo 103 do código penal - reclusão de 10 anos.
Apropriação indébita de riquezas e poder.
Artigo 168 do código penal - reclusão de 5 anos.
Porte indevido e ofensivo de armamento pesado.
Artigo 180 do código penal - reclusão de 2 anos.
Com eficiência e rapidez surpreendente, a pena é executada em um mês.
No dia 21 de maio, Borba Gato é acorrentado a uma bola.



A reclusão prevista no código penal é de 55 anos..
Por acreditarmos que a cultura bandeirante e suas atrocidades não representam os heróis que gostaríamos ver construir a nossa história, o juri delibrou que o Bandeirante Borba Gato fica condenado à imobilidade por toda a eternidade.
É importante saber que:
Repensar a história do nosso povo é promover a possibilidade de um outro Brasil e não como este atual onde quem tem dinheiro não tem lei, não vai preso e manda no país. Onde quem é índio nem sabe que é e quem é negro tem vergonha de Ser.
Podemos muito mais...
6 de maio de 2008
CULTURA PERIFÉRICA
Eleilson Leite
Dei uma olhada na lista dos contemplados do VAI/2008. O perfil, até onde pude examinar é bastante interessante. Dos 103 projetos aprovados, somente 12 são de pessoas jurídicas. Dentre estas tem uma escola municipal, representada pela APM – Associação de Pais e Mestres. Outro destaque entre as PJs é a Associação Guarani Nhe Porã, de uma das aldeias indígenas de Parelheiros que apresentaram um projeto na área de audiovisual. Embora pequena, considero importante a presença de organizações juridicamente constituídas. É um sinal de maturidade do movimento cultural periférico. Várias rodas de samba, por exemplo, já são ONGs, como é o caso do Samba da Vela e o Samba da Laje. A Cooperifa, além de ser uma associação também tem título de OSCIP- Organização da Sociedade Civil de Interesse Público. Isso confere a essas organizações uma condição interessante para captar recursos e buscar sustentabilidade. Podem, entre outras opções, se tornar Pontos de Cultura, uma iniciativa do ministério da Cultura que vai na mesma direção do VAI.
Não obstante, o VAI mantém seu foco prioritário na pessoa física e isso é muito correto. As organizações que receberão apoio já têm consciência que este é um primeiro impulso. Daqui para frente é bom buscar outras fontes, porque o VAI também procura considerar o ineditismo dos projetos e a curta trajetória dos proponentes. A Cooperifa não foi contemplada na edição do ano passado, certamente porque já era um movimento consolidado. As pessoas jurídicas apoiadas pelo programa em geral têm baixa institucionalidade e o recurso será muito importante para a sua afirmação.
E quem são as 91 pessoas físicas aprovadas no edital? São jovens cheios de motivação e criatividade. Somente quatro deles têm 30 anos ou mais. Por outro lado, 17 têm entre 18 e 20 anos. O restante está na faixa dos 21 aos 29. Soube que a organização do VAI pretende estimular ainda mais a presença de jovens com menos de 20 anos e principalmente aqueles que ainda estão no ensino médio. A grande maioria dos aprovados já saiu da escola. Muitos cursam faculdade e outros tantos já se formaram. Sei de um que faz pós-graduação, por sinal é o único com mais de 30 anos.Todos os jovens aprovados são de baixa renda e moradores de bairros periféricos. A maioria é da Zonal Sul que teve 40 projetos aprovados. A Zona Leste vem logo atrás, com 31 propostas. A Zona Norte tem 14 e a Zona Oeste ficou com 7.
Quanto à temática dos projetos, a análise comprova uma tendência já observada em textos anteriores desta coluna: a literatura é a linguagem artística cujo interesse mais cresce na periferia. Vinte iniciativas tratam das letras. Tem projetos de livros, revistas, fanzines, saraus, oficinas, vídeo e teatro. Todos tendo a literatura como foco. Empatado no topo da lista vem o teatro, com o mesmo número de projetos. Há 19 iniciativas dentro de um universo temático que inclui artes visuais, multimídia e audiovisual. Música ficou com 8 projetos e Cultura Popular recebeu 7. Depois, vêm Hip Hop, e Artes Plásticas, com 7 e 6 propostas respectivamente. Entre os temas com menor número de propostas estão dança (dois projetos) e circo, capoeira e rádio (apenas uma proposta cada).
Literatura e teatro, tradicionalmente associados ao gosto da elite, são as linguagens com maior presença. A massa nas quebradas está assando um biscoito muito fino, que a elite há de experimentar
Espero que sociólogos e demais estudiosos se interessem por esses dados. Vejam que curioso. Os temas que tradicionalmente estiveram mais associados ao gosto da elite, a literatura e o teatro, são as linguagens com maior presença entre os projetos da periferia. Isso merece uma boa reflexão. Se juntarmos artes plásticas, multimídia e artes visuais, fica ainda mais acentuada a evidência de que a ampliação do acesso aos meios, somada a uma política pública, faz emergir, no subúrbio, um movimento cultural muito consistente, criativo e sofisticado. Está aí uma hipótese a ser investigada. O certo é que a massa nas quebradas está assando um biscoito muito fino, que a elite há de experimentar.
Durante nove meses, portanto, assistiremos a uma movimentação cultural intensa e vibrante por toda a periferia de São Paulo. Muitos dos resultados serão divulgados na Agenda Cultural da Periferia. As 16 páginas deste guia passarão a ser disputadas, linha por linha, por vários projetos. Até porque a Agenda serviu de portfólio para muitos dos pleiteantes do VAI, que puderam comprovar sua existência artística por meio desta publicação. Em boa hora, a Agenda da Periferia passou a ser acessada na internet, com notícias veiculadas semanalmente. Por caminhos diferentes, O VAI e a Agenda Cultural da Periferia, da Ação Educativa, acabaram se encontrando nesse esforço de afirmação da cultura de periferia.
Na semana passada falei da Virada Cultural e chamei a atenção para o fato de que a continuidade do evento corre risco, numa próxima gestão. Com o VAI esse rico é muito menor. Sabe por que? O VAI foi instituído, desde o princípio, como lei, formulada ao longo de dois anos, com amplos debates, até chegar ao texto final. Veja que círculo virtuoso. Uma lei feita com participação popular só poderia resultar numa política tão bacana.
Falei também da necessidade de a Virada Cultural ter mais participação na sua programação. Seria uma boa idéia a Prefeitura garantir espaço para os projetos do VAI nas 24 horas do grande evento cultural de São Paulo. Entre 103 iniciativas, certamente teremos muita, muita coisa boa para mostrar. Como diz o Célio Turino, coordenador do programa Cultura Viva, do ministério da Cultura, o VAI, assim como os Pontos de Cultura, são exemplos de políticas onde o Estado dispõe, ao invés de impor. Acredito na idéia de que Estado pode ser um importante agente estimulador da organização civil. Assim teremos um Estado forte com uma sociedade civil igualmente forte. A cultura está dando um excelente exemplo.



