arte na periferia: Quilombo Palmares

28 de outubro de 2008

Quilombo Palmares




Filme Quilombo de Cacá Diegues



Rei Palmares

Mandinga, mandinga, mandinga.
Quilombo, quilombo...
Quilombo, quilombo...
Liberdade, igualdade e resistência.
Terra, comida, arte, estava existência
Tambores, atabaques para confraternizar.
Molejo gingado para capoeirar
Companheiros indígenas para se agrupar
Hei nego...! segue o som dos tambores que ecoa pelo mato
Segue o sentimento nativo exato
Rei ganga zomba, na falsa paz confiou.
Um tratado um tratado se consolidou
Contra a repressão, quilombo é escudo
Nego zumbi falou - Liberdade tem que ser pra todo mundo.
O tratado foi interrompendo
Ele foi o cupido
O povo dividido
O muro demolido
Negro também veio Palmares derrubar
Preso nas correntes, não tinha folia.
Querendo guerrear por carta de alforria
Escravo de guerra de Pernambuco capitanias
Comandados pelos cães
Domingo Jorge velho e seus canhões


Vamos reconstruir palmares
Vamos reconstruir palmares
Mesmo com Naza sobre os ares
Mesmo que venham ogivas nucleares
Mesmo que caiam corpos sobre os mares


Vamos arrombar porteiras e portões
Taca fogo nos casarões
Guiado pela lua caminhos vamos seguir
Engenho latifúndio, vamos invadir
Saquear os saqueadores
Colocar no tronco os senhores
Rasgar diplomas de doutores
Senzalas recebem nossas visitas
Vamos crucificar os jesuítas
No mar ergue os levantes
Limpar com a cara dos bandeirantes
Recuperar, ocupar, resistir, construir.
Ergue nossa bandeira
Bandeira cor vermelha
Recuperar as origens da verdadeira nação brasileira

Vamos reconstruir palmares
Vamos reconstruir palmares
Mesmo que tenha que matar poderes
Dos executivos e parlamentares
Mesmo que televisão inquisição
Traga os males
Vamos ler noticia jugulares

Agora é nossa vez
Valeu Chico rei.
Pode vim que têm
Com nóis ,é muita mais alem
Muito mais Allende.
Reconstruindo tijolo por tijolo
Fortalecendo as raízes etnias do criolo
Que nem Ruy Barbosa, pode apagar
Que está contido no coração, limpo de todo mau
No toque do berimbau
Muito axé... Salve o candomblé
Pros companheiros amor com Gandi, paz sem fim
Pros inimigos, coragem perseverança como zumbi.
Como diz Zafrica Gaspar
O que importa é a cor...E quem tem cor... age!
Tem coragem!
No ato da coragem
A cor é tomada pela ação
Em toda cor
Em toda ação
É contido um coração
Coragem pra poder amar e guerrear
Ter terra pra poder plantar
Plantar e ver crescer, poder comer.
Ver a água de o rio descer, poder beber.

Vamos reconstruir palmares
Vamos reconstruir palmares
Mesmo com Naza sobre os ares
Mesmo que venham ogivas nucleares
Mesmo que caiam corpos sobre os mares

Reder o capitão do mato
Algemar o policial
Lutar pra um país onde tupi-guarani é oficial
Olha as imagens
É preto, é branco.
Chaplin!
Luz, câmera... Geraldo Filme
Olham o filme Zagatiano as telas
Informação pras favelas.
A pólvora se em curta
O fogo se alastra
É fogo no pavio
Revolução no Brasil
O som Gog
Tipo Anita Garibaldi, Maria bonita, Olga e Pagu.
Vamos expande nosso Xingu
Fortalecer as terras de mandacaru
Ai você quer ser macaco?
Desde moleque eu sou guerreiro
Nascido cangaceiro
É resistência e ousadia
Assistindo narradores de Javé
Rap do bom, samba no pé.
Xica da Silva, Dandará mulher
Ouvindo Carlos Silva em patativa do assaré
Nhonhonhonhonhomho...
Nhonhonhonhonhomho...

O Zóio da santa de madeira,
Correndo lagrimas molhadas
Por ver o negro sucumbir às chibatadas
Suas costas todo ensangüentada

Revolução, transformação, evolução.
Joguem os búzios
Rompei as fronteiras
Acabai com as tiranias
Unificai as grandes periafricania
No estudo da quilombologia
Nos rituais da quilomboquimia
Na escrita da quilombologia
Pegue os agogôs, toque os tambores
Ruge os amores
Por que toda favela tem um pouco de senzala
Mas toda favela tem um pouco quilombo
Salve o Rei Palmares
Salve a rainha África a chama incandescente
Que queima a fênix chamada Brasil.

Luan Luando

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